Tuesday, May 01, 2007

Meu herói

Ele morreu há treze anos e até hoje não consigo esquecê-lo.
Aprendi a admirar como ele saiu de baixo e foi crescendo acima das adversidades que enfrentou. Era o orgulho da família e sua honestidade e firmeza faziam dele alguém especial.
Respeitava muito os adversários, mas sempre mantinha seu foco no trabalho que tinha que fazer. Para mim, ele foi o maior campeão de todos os tempos. Não pelos seus troféus, mas pelas suas virtudes, exemplo e falta que ainda hoje faz.
Ninguém jamais chegou sequer perto dele. Não importa quantas vezes outros foram campeões, não importa quantas vezes começou na frente, quantas ultrapassagens fez... enfim, não importa. Ele é e sempre será o melhor.
Era difícil vê-lo chorando, mas escondia um coração cheio de emoções. Na verdade, o vi chorando algumas poucas vezes e conseguiu me fazer chorar também.
Não era perfeito, mas era esforçado e desejava a perfeição. Para mim, ele é insubstituível. Não porque sua falta não tem sido parcialmente suprida por outros que também admiro e neles me espelho, mas porque a relação com ele era diferente.
Ele enchia não apenas minhas manhãs de domingo de alegria, mas todos os dias, mesmo à distância que era quase todo o tempo que me recordo. A música que tanto amava tornou-se um “tema da vitória” para mim e ainda hoje, quando escuto as suas preferidas, lembro dele com saudosa alegria. Foi bom enquanto durou.
Lembro bem daquela manhã de domingo, dia 01 de maio de 1994, e lembro que quando soube da notícia, meu coração sabia logo de cara que não teria jeito. Era emblemático: ele viveu e morreu trabalhando e todo o esforço dos médicos não foi suficiente.
Naquela curva da vida ele, que sempre gostou de ter o controle de tudo, perdeu o controle e encontrou sua hora da verdade, seu destino. Como o mundo ficou mais triste sem ele. Não sei se para todos, mas para mim, especialmente.
Dizem que ele se encontrou com Cristo em vida. Não sei ao certo. É uma incerteza para dirimir depois que eu também for. Espero encontrá-lo.
Lembro que tinha um encontro marcado com ele e não pude comparecer. Adiei e quando quis, ele já não estava mais aqui. Só o vi já entubado num CTI de um hospital. Paralisei. Não chorei. Não falei. Não orei.
Ele foi mais do que um campeão. Meu pai foi, é e sempre será meu herói.
Ao morrer deixou uma falta, um buraco que nem toda a água do mundo poderia enchê-lo. É a dor do que poderia ser e que não foi, porque ele me foi tirado quando eu ainda estava começando a saber o que é viver.
Hoje, sinto que estou mais próximo da idade que ele tinha e fico imaginando o que ele pensava e vivia quando tinha minha idade. Sei que as histórias são distintas, mas como me sinto cada vez mais perto dele! Até mais, painho. Um dia, a gente se vê e você me conta o restante da história. Saudades.
Robinson

3 comments:

fgmonteiro said...

Obrigado meu irmao. Suas palavras me fizeram lembra-lo tambem.
A sua imagem com ele, me fez voltar ao tempo...casa da palmeira, joao moura, os fusquinhas da vida, a brasilia, a casa da baia da traicao, a minha primeira bicicleta, a surra que levei estilo carrosel...e incrivel que alguns dias atras estava a falar com Carla, sobre quando era pequeno, e meus pais tinham a idade que daqui alguns anos( 2 anos)terei, e ficava fazendo contas para saber em que ano tinham nascido.
Tambem me lembro do dia em que o deixei na rodoviaria e fiquei entalado querendo dizer o quanto o amava, foi minha ultima chance de o fazer-lo.

Mythus said...

Pastor, meus pêzames pela perda.

Também sinto uma enorme admiração por meu pai.

Juliana Monteiro said...

Saudades simplismentes saudades